ALAP | Associação Latino-Americana de Publicidade

SOBRE A ALAP

A ALAP – Associação Latino-americana de Publicidade é uma entidade sem fins lucrativos que congrega agências de Comunicação, Digital e de Design; e Comunicadores com atuação em países da América Latina e nações de lingua portuguesa e espanhola.
Esta associação tem por finalidade o desenvolvimento, a profissionalização e intercâmbio de informações e experiências do mercado da indústria da publicidade latino-americana.

SÃO OBJETIVOS

  • Associar agências de Comunicação, Digital e de Design; e Comunicadores.
  • Promover Seminários, Fórum, Congressos, Convenções, Jornadas, Workshops, Exposições, Feiras, Eventos Artísticos e Esportivos e Culturais;
  • Implantar e desenvolver um sistema de Certificação de Depósito de comprovação da anterioridade da ideia publicitária de pessoas físicas e jurídicas, através do seu projeto BANCOMARK – Banco de Comunicação e Marketing;
  • Divulgar e propugnar a integração latino-americana da atividade publicitária;
  • Desenvolver esforços pela compatibilização de Leis, Códigos de ética, Normas-Padrão e de Autorregulamentação;
  • Manter troca de informações com entidades congêneres e de profissionais da América Latina e de países de idiomas português e espanhol; Recomendar a utilização de uma Tabela de Preços Referenciais dos Serviços Internos das Agências de Publicidade;
  • Cooperar com o Poder Público e Autoridades de cada pa´s em assuntos de interesse educativo, técnico e profissional.

 

Últimas Notícias

MEU REINO POR UM CAVALO NA PROPAGANDA

*João Firme

Quando foi anunciado  no teatro da OSPA, nos anos  70, o  Meu Reino por um Cavalo, obra de Shakespeare, cai duro  ao ler  que os artistas seriam Paulo Gracindo e Clara Nunes, meus ídolos na juventude.

Por telefone falei com o empresário no RJ  para fazer a transmissão pelo Rádio  e consegui convencê-lo com o argumento que  muita gente poderia assistir e a bilheteria estava garantida e se isso ocorresse, a temporada dos grandes artistas seria mais rentável, pois a Propaganda patrocinando a transmissão derivaria um percentual para os artistas, para a OSPA e entidade filantrópica.

Deu certo e convencemos um patrocinador  que não sabia quem eram na história  cultural e da arte, Shakespeare, Bethoven, Di Cavalcanti, Cleópatra, Rei Salomão, Rei Davi, Rainha Vitória, Vila Lobos, e pasmei quando ele me disse que não sabia nada de Érico Veríssimo e de Mario Quintana, mas conhecia  poesias de Luiz Coronel porque era publicitário e havia pensado procurá-lo para lhe dar a conta.

A  Casa das Blusas era de um empreendedor de visão que  comprava bem em SP pagando à vista ou antecipado e por isso podia  vender por menor preço em Porto Alegre. O dono, Clovis Nunes, criou um departamento de roupas finas para as socialites de Porto Alegre e investia forte em desfile de modas em chás da tarde para obter fundo para o Instituto Santa Luzia  que realizávamos em Clubes Recreativos com a Rádio Itaí.

Sobre o patrocínio de Meu Reino por um Cavalo o resultado obtido pela Propaganda com o patrocínio foi surpreendente, com a venda de  todo o estoque e ganhei uma viagem à São Paulo para conhecer uma das indústrias de confecções que vendia para o cliente.

Mas os eventos culturais ou de artes conseguem às vezes publicidade  em  Tvs e Rádios, um dia ou dois antes das apresentações. Como apaixonado da nossa Sinfônica de Porto Alegre da qual fui associado contribuinte, fiquei perplexo ao ler um anúncio cortesia do Jornal do Comércio (coisa rara) que  teria um espetáculo gratuito no teatro do Jardim Botânico, atração verde da capital gaúcha, no dia 1°/10, às 18h e no programa tinha músicas de Bethoven.  Enlouqueci e pedi licença para minha mulher que me aguenta há 52 anos e me mandei para o Teatro, saciando minha saudade desde 87 quando ouvi algumas  músicas preferidas pela Sinfônica de Berlim que  veio à cidade de Paixão Cortes nas  comemorações dos 100 anos da Brahma, por sugestão da Arauto Publicidade (nossa ex- agência), que teve  a conta na Cristóvão Colombo onde está o Shopping Total e tem  a enorme Torre como Patrimônio Histórico Cultural e  é atração turística.

Como a Sinfônica de POA é do Estado do RS, o governo devia permitir que a Propaganda divulgasse suas apresentações pelo Rádio ou Televisão cobrando ingressos e esses revertidos para uma instituição filantrópica e porque não o Instituto Ver Hesíodo Andrade, a ONG da Propaganda que está necessitando de sede própria para atendimento gratuito em crianças com até 5 anos, evitando com sessões de estimulação e reabilitação a cegueira precoce. Outros espetáculos também poderiam ser divulgados pela Propaganda desde uma vez que fosse consentido pelos empresários avarentos e compreendessem que os resultados vão beneficiá-los (ele e o artista) e à sociedade que atua na responsabilidade social.

Somos todo Propaganda. Acredite no Brasil.

Encerro para que o Estado permita que a OSPA seja patrocinada pela Propaganda quando se exibir e que o dinheiro arrecadado  com a venda de ingressos seja revertido para uma ONG reconhecida. Outros espetáculos, poderiam ser patrocinados pela Propaganda em todos os Teatros no RS.

A própria ONG ajuda a Agência de Propaganda a encontrar patrocinador  da mídia, indicando empresas e instituições privadas que precisam reluzir a marca e praticar a responsabilidade social.

*Publicitário e Jornalista
alap@terra.com.br

OS SEQUESTROS NA PROPAGANDA

*João Firme

Washington Olivetto, Luiz Salles e Geraldo Alonso Filho foram sequestrados, e nós, reféns no Festival de Gramado de 2005.  O Washington se salvou porque foi muito criativo até para isso.

O Luiz Salles, que foi esquecido pelos bandidos porque esperavam um dinheirão, acabou sendo solto, mas foi uma comoção nacional nas comunicações pelo tempo mantido nesta situação. O Geraldinho, como dizia o pai, herdou a Norton e os sequestradores imaginaram que ele era riquíssimo. Voltou ao batente e vendeu a empresa. Nós fomos reféns no Festival de Gramado de 2005, por um grupo de jovens que chegou em dois ônibus da região central do Brasil e queriam lugares no auditório (lotado uma semana antes) da Expogramado para assistirem as palestras do fotógrafo Oliveri Toscani, Nizan Guanaes e Duda Mendonça.

A saída inteligente da competente Eliana, da Capacità Eventos (que se virou como um Paixão Cortes), com os seus fornecedores foi improvisar telões para que quase 1 mil participantes pudessem assistir às palestras, o que causou   um enorme prejuízo, mas acalmados os ânimos da juventude, o Festival Mundial de Publicidade de Gramado de 2005 foi transmitido integral  para o mundo, pela internet, através do site da Alap.

Voltando aos sequestros, o do Washington foi puramente por dinheiro, pois imaginavam que ele era nosso Bill Gattes, assim como Luiz Salles e Geraldo Alonso Filho. O Luiz e o Geraldo abandonaram a propaganda e o Washington desistiu da agência própria e associou-se à MCann.

Com o Luiz Salles, temos recordações extraordinárias desde a Carta de Porto Alegre, firmada em 1981 para a constituição da FENAPRO. Viajamos pelo Brasil com um VISA da Salles Interamericana (dos irmãos Mauro e Luiz) para convencer os colegas de cada Estado a fundarem Sindicatos para que a Federação nascesse forte em 1985. E não deu outra, conseguimos o que queríamos e a primeira posse da Diretoria da FENAPRO, com Luiz Salles na presidência, e eu como secretário-geral, foi no dia 4 de dezembro, Dia Mundial da Propaganda de 85, com Missa na Catedral Metropolitana e jantar com o Governador Amaral de Souza e o Arcebispo Metropolitano, Dom Claudio Koling, o Bispo do vinho de cristo dos jornalistas.

Depois, aconteceu a segunda em SP, no Maksoud Hotel, bem organizada pela Salles Interamericana (mais de 200 convidados), com os cinco Sindicatos (RS, SP, RJ, GO e DF). Cada presidente podia levar um cliente anunciante.

A posse oficial foi presidida pelo Ministro do Trabalho, Murilo Macedo.  O Luiz era simples, autêntico, inteligente, publicitário de “escola” e caí nas graças dele, nos tornamos amigos assim como dois “coroinhas”, ao ponto de ele vir de SP e trazer carne argentina para assar na minha cobertura da  rua Eça de Queiroz, onde passeavam  Érico Veríssimo, Paulo Brossard e Luiz Coronel.

O Careca, como o chamava carinhosamente, sempre me aconselhava a seguir a advocacia (argumentava que agência era negócio difícil), pois gostava dos meus artigos sobre a legislação da propaganda e do meu trabalho de trazer para o mercado novos anunciantes, e no CONAR na formatação das Câmaras junto com o Saulo Ramos, herdeiro da banca de Vicente Rao. Quando desisti de agência porque meu filho não quis a profissão de publicitário e sim de engenharia aeronáutica (comandante da VARIG e hoje da CATAR), fui nomeado Juiz Classista dos Empregadores para a  7ª JCT por convite de  Ronaldo José Lopes Leal, presidente da AMATRA – Associação dos Magistrados do Trabalho do RS, cliente da Arauto Publicidade. Ocorreu que o Saulo Ramos, que tinha um baita conhecimento jurídico, foi nomeado pelo presidente Sarney como ministro da Justiça e ambos me nomearam Juiz do TRT da 4ª Região, onde trabalhei na quinta turma com a ministra do STF, Rosa Weber (nunca tinha visto uma mulher tão inteligente em ciências jurídicas como ela), Gelson de Azevedo (Patrono da ALAP e transformador da JT), Ronaldo José Lopes Leal, ”juris consulti” do Trabalho que se aposentou como presidente do TST e outros desembargadores notáveis.

Lembro uma profecia do Luiz Salles no dia em que fomos recebidos em audiência pelo presidente Figueiredo: “todas as agências grandes vão desaparecer até 2020”. E é verdade, não existe mais nenhuma.  Com o Roberto Marinho, Roberto Civita, Mauricio Sobrinho, João Saad, Geraldo Alonso, Castelo Branco, Petrônio Correa, Antonio Mafuz e Hesíodo Andrade, Luiz Salles está descansando em paz.

*Publicitário e Jornalista

A PROPAGANDA VOLTADA À SAÚDE

*João Firme

A primeira conta de propaganda de saúde que tivemos há 61 anos, na Minuano, quando estudava no Curso Técnico de Secretariado no Protásio Alves, foi do lançamento dos hospitais Conceição e Cristo Redentor, com o  empreendedor Jayr Boeira de Almeida, que no primeiro contato nos disse que não era médico, mas queria investir na construção dos dois hospitais que no futuro não seriam dele, e sim, do governo. Os jornais e as rádios da capital do Nico Fagundes, companheiro rotário que está no céu, reinaram no faturamento da agência, nos obrigando a contratar um bom jornalista-redator e um criativo designer.

Em seguida, fui chamado pelo PRONTIL- Pronto Socorro Infantil, por um médico da minha Santa Rosa, Guido Weck, com o qual estudei no ginásio. Ele me propôs um convênio com a Minuano para atender meu filho de 2 anos, que me deixava em pânico quando atacado por uma bronquite asmática, herança do meu pai. Tive que convencer o CREMERS a autorizar a propaganda que era proibida, ainda mais para medicina de grupo, combatida pelo SIMERS. Mais tarde, à frente na presidência do SINAPRO-RS, fui chamado por um colega do marketing da Policlínica Central, que entrou no mercado para vender seus serviços de atendimento médico urgente, sem hospitalização, para empresas da Grande Porto Alegre.

O Cesar, hoje dono do Centro Clínico Gaúcho, propôs o atendimento em troca de centímetros no Jornal do Comércio, argumentando que o mesmo era dirigido para empresários. Com o Daltro Franchini, Hesíodo Andrade e Adão Juvenal de Souza, pedimos uma reunião com o Delmar Jarros. Quando chegamos, ele sorriu dizendo: ” mas que honra receber o PIB da Propaganda”. Entrei na brincadeira e apresentei o projeto para a doação do valor mensal dos atendimentos aos publicitários do SINAPRO-RS. Argumentei que seria o primeiro e único convênio no Brasil na área da comunicação. Sorrindo:”está fechado. Quando começamos?” Aproveitei a oportunidade e incluí o Pronto Socorro Infantil para a Minuano, embora a Policlínica oferecesse o mesmo serviço não tão especializado.

Preparei a assinatura do convênio na ARI (Associação Rio-grandense), da qual sou associado desde 65, juntamente com a ARP, onde comecei em 60; RP e Direito em 73, pois acredito que a união faz a força. O Dr.Moacir Zaducliver, médico cardiologista, sócio com o seu irmão Jaime, também cardiologista com jeito de comunicador, nos surpreendeu no coquetel no Bar do Alberto André, estendendo o convênio para certo número de jornalistas associados, sem atrelar mídia à ARI. Mensalmente, tinha fila na ARI para pegarem as fichas de consultas gratuitas, creio que em torno de 100. Era uma alegria geral.

Com o passamento do jovem Dr.Jaime, que havia viajado comigo a São Paulo e na volta nos desencontramos nos horários de voos, pois ele teve uma síncope cardíaca na fila para a entrada no jato da VARIG, a Policlínica se desestruturou e deixou de existir, enquanto que o César, prevendo o fim, fundou o CCG e levou o convênio da propaganda me dando a conta. Lançamos com ele o primeiro programa VIDA MÉDICA pela Rádio e TV Bandeirante, ensinando prevenção de doenças. O Dr.Vinogrom, que foi o primeiro a nos cumprimentar quando liberamos o programa no CREMERS, foi cursar Jornalismo na FAMECOS/PUCRS para apresentar o programa e abandonou a traumatologia.

Mas a saúde, educação, meio-ambiente e a diversidade sempre pontuamos e chegou o Instituto Ver, em 2007, com o Teste do Olhinho e a Estimulação visual infantil para evitar a cegueira precoce, sendo este o segundo projeto internacional da Organização Mundial da Saúde depois do câncer infantil. Com a propaganda e com a liderança do dono de Porto Alegre, Paixão Cortes, e apoio dos veículos de comunicação, levamos o tema aos políticos da Câmara de Vereadores, que aprovaram em regime de urgência a lei do Teste do Olhinho. O Fogaça sancionou no dia 18 de julho de 2007 sob o olhar do Paixão, do Airton Rocha e do Luiz Coronel. Na ARI, no dia 5 de agosto, no café da manhã, a presidente do IVER, Rosane da Cruz Ferreira, que está lecionando para oftalmologistas do mundo na John Hopkins, universidade TOP de Medicina Americana como pesquisadora e cientista da OMS, candidata ao Prêmio Nobel de Oftalmologia, declarou enfática: “Hoje, graças ao Instituto Ver Hesíodo Andrade, única entidade que atende gratuitamente com sessões de estimulação e reabilitação, 22 crianças ao ano não ficam cegas em Porto Alegre, representando uma economia de 12 milhões ao município”.

Que maravilha meu Deus.

*Publicitário e Jornalista