DISCURSO DE WILLY HAAS FILHO, PATRONO DO 20º FESTIVAL MUNDIAL DE PUBLICIDADE DE GRAMADO

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Na inauguração da Pilar Galo de Gramado no dia 10 de junho de 2015, às 17h, estavam presentes Eduardo Becker, diretor da Central Globo de Televisão e o diretor comercial da Rede Globo de Televisão no RS, Felipe Hembeck. Ambos participaram da instalação do 20º Festival Mundial de Publicidade de Gramado, presidido por Roberto Duailibi, no mesmo dia, às 19h30min no Centro de Convenções Serra Park de Gramado, representando Willy Haas Filho, que havia ficado em São Paulo.

O diretor da Central Globo de Televisão, Eduardo Beck leu o discurso que o Patrono da vigésima edição do Festival de Gramado havia preparado. O mesmo foi muito aplaudido pela plateia que lotou o centro de convenções e o transcrevemos na integra.

Boa noite a todos. Cumprimentando as autoridades presentes, dirijo minha saudação especial a João Firme, grande incentivador do Festival de Gramado e a Roberto Duailibi, presidente deste Festival e da ALAP, que me distinguiram com o convite para ser o patrono deste evento. Saúdo, também, os três homenageados, Faustão, Johnny Saad e João Dória, todos eles destacadas personalidades da indústria da comunicação. Ser o patrono do 20º Festival Mundial de Publicidade de Gramado é uma honra imensa, sobretudo porque coincide com o 50º aniversário da TV Globo.Esta ocasião me traz de volta às origens e me permite reviver ótimas recordações. Aliás, sou especialmente grato aos publicitários gaúchos por ter sido distinguido aqui mesmo, em 2009, com a Medalha Maurício Sirotsky, esse que foi um grande radialista e empresário, o fundador da RBS, um dos mais competentes grupos de comunicação do Brasil, onde tenho muitos amigos queridos, como o Jayme, o Nelson, o Pedro, o Duda Sirotsky Melzer e tantos outros.

Como vocês já sabem, sou gaúcho. Tenho uma relação profunda com nossa terra e tive a boa sorte de nunca ter me afastado dela. Nos finais de semana, sempre que posso, venho a Cachoeira do Sul, minha cidade natal. E é lá, com o pé na terra e uma cuia sempre à mão, que encontro na natureza pródiga e na sabedoria dos homens simples, as coisas que desde criança aprendi a admirar. Na grande cidade, a realidade é bem outra: ela dá e toma simultaneamente… No mercado publicitário, a medida de tempo é o segundo. .. Já no campo, tanto são os atrativos que é possível deixar um pouco de lado a crise, o PIB, o trânsito… Lá prevalece a medida de tempo ditada pelas leis da natureza. Na agricultura e na pecuária tudo acontecerá a seu tempo. E é no campo que o Brasil se destaca cada vez mais e ainda progredirá muito. Voltando à publicidade, atividade na qual o Brasil também é um dos melhores, gostaria de contar um pouco da minha trajetória profissional, iniciada no mercado gaúcho há 44 anos.

Sou graduado em administração de empresas e, em 1971, ainda estudante, comecei como contato da Pereira de Souza, na época uma importante empresa que representava comercialmente várias emissoras de rádio e TV de diferentes mercados, inclusive a TV Globo. Depois trabalhei na TV Difusora, hoje pertencente à Rede Bandeirantes, comandada pelo nosso amigo Johnny Saad. Na TV Globo trabalho desde 1979. Inicialmente como contato, depois gerente da sucursal Sul, baseado em Porto Alegre, e cobrindo os estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande. Depois fui galgando posições. Sempre na área comercial: Diretor da divisão Spot, responsável, na ocasião, pelas vendas realizadas em uma determinada praça para exibição em outras; Diretor da Central Globo de Desenvolvimento Comercial, que tinha a seu cargo as ações de merchandising, os projetos promocionais, integração multiplataforma etc. Depois fui designado para dirigir a Central Globo de Comercialização que cuida dos breaks, dos patrocínios de programas de linha e dos grandes projetos de comunicação, como por exemplo o Futebol Global.

Em 2004, assumi a DGN – Direção Geral de Negócios da Rede Globo. Essa grande área é responsável tanto pela comercialização off-line e on-line (atividade fim) quanto pelas áreas de apoio. Trabalham comigo na DGN cerca de 700 profissionais — de atendimento comercial, de marketing, de operações comerciais, de relações com o mercado, de relações com as emissoras regionais da Globo, de relações com as afiliadas, vendas internacionais, e planejamento e gestão… É um trabalho fascinante, tanto pela qualidade das nossas equipes, quanto pela diversidade de desafios que elas enfrentam. Foi o trabalho delas e a confiança do mercado publicitário que permitiram a sustentação do Padrão Globo de Qualidade e a nossa independência editorial, dois pilares do sucesso da organização. Acredito que este meu depoimento como padrinho do festival deva servir de estímulo aos jovens participantes: a indústria da comunicação brasileira oferece muitas oportunidades de realização profissional no jornalismo, no entretenimento e na publicidade. A Rede Globo sempre orientou seus esforços no sentido de ajudar a construir um mercado publicitário profissionalizado, forte e competitivo.

E é bom recordar que há 50 anos atrás, o início foi bastante difícil, pois os concorrentes eram fortes e tinham tradicionais vínculos com o mercado. O mercado publicitário brasileiro de hoje possui características singulares. Sem exagero, nosso modelo de relacionamento é único no mundo! Aqui os clientes e os veículos ainda podem contar com agências full service. São elas e suas estruturas completas de criação, planejamento e mídia que fazem com que os clientes possam ser atendidos em todas as disciplinas e nossos intervalos comerciais tenham nível internacional. Aliás, mercados desenvolvidos, que haviam abandonado o modelo full service de agência, estão voltando atrás e o nosso mercado e o sucesso da publicidade brasileira lhes servem de referência. O sucesso e a qualidade proporcionados pelo modelo brasileiro são visíveis também nos nossos breaks, como vem atestando o nosso Prêmio Profissionais do Ano. Breaks criativos, bem estruturados, ajudam o telespectador a se informar e a escolher os produtos e serviços disponíveis no mercado. E podem inclusive entreter! Além, é claro, que cumprir a função de promover as marcas, vender produtos e fomentar a concorrência entre anunciantes. O conteúdo que criamos e produzimos na Globo está sendo distribuído em diversas plataformas.

A distribuição do sinal, desafio enfrentado pela TV aberta a partir dos 50, através de micro-ondas, de geradoras, de microgeradoras, hoje se faz via satélite, em ambiente digital. – A distribuição é importante? – Sim, muito, mas ela certamente perdeu importância para o conteúdo. Hoje, com a pluralidade de meios, o grande desafio é suprir a demanda mundial de formatos e conteúdos. Aqui, novamente, eu peço a atenção dos meus colegas mais jovens: o comercial de 30” também é conteúdo, conteúdo publicitário. A qualidade da criação, a qualidade do roteiro e da produção é que farão a diferença nos breaks. Na programação a Globo vive o mesmo desafio: para sustentar sua liderança é indispensável inovar, ousar na criação e ter coragem de testar formatos e novos talentos, sem jamais abrir mão da qualidade.

A receita é simples de enunciar: será vitoriosa a empresa que oferecer os melhores formatos e conteúdos, e que possam ser distribuídos nas diversas plataformas. Hoje, aqui em Gramado, podemos assistir a RBS no celular e estando no Rio, acompanhar a TV Globo Rio… A tecnologia digital nos permite assistir a Globo e a emissora afiliada da região pelo celular onde quer que estejamos, bem como pelos canais da Globo.com na web. O padrão brasileiro de TV Digital, conhecido pela sigla ISDB-T e baseado no japonês, é o único sistema no mundo que dá acesso ao sinal da TV aberta em real time. Americanos e europeus não dispõem dessa tecnologia!!! Aqui, o mesmo sinal digital da TV aberta, que os telespectadores recebem em seus domicílios, é captado pelos receptores móveis portáteis. Cada vez menos importa qual device exibirá o conteúdo escolhido. Portanto, vejo hoje no mercado uma grande oportunidade, uma imensa oportunidade, pra vocês estudantes, jovens profissionais de comunicação, de marketing e administração.

Um futuro muito, muito promissor e instigante, em agências de publicidade, em produtoras, em veículos de comunicação, criando e produzindo formatos e conteúdos. Afinal, quem é capaz de contar uma história em 30 segundos, de encantar, informar, vender, pode, tranquilamente, escrever roteiros para televisão aberta e fechada, cinema e web. Essa capacidade já foi testada e aprovada anteriormente por alguns dos grandes autores da Globo, como Manoel Carlos, Benedito Ruy Barbosa, Alexandre Machado e o próprio Boni. Eles já haviam trabalhado como redatores em agências de publicidade. No final de 2014, a área de Negócios da Globo abriu inscrições para vagas de trainee. Estabelecemos alguns requisitos: estar no último ano da faculdade, apresentar determinado nível de aproveitamento, ser fluente em inglês etc. Inscreveram-se 28 mil universitários de todo o Brasil!!! Pudemos selecionar 20 trainees da melhor qualidade, que já estão sendo treinados na área de Negócios.

Gente como vocês, que está sendo preparada para o futuro e a Globo se orgulha de ter sido escolhida por eles. Estou na torcida para que, no futuro, possamos nos reencontrar no mercado como companheiros de trabalho. E quem sabe um dia, no futuro, o patrono de um Festival como este, venha aqui contar sua trajetória como fiz hoje e se lembre do que conversamos hoje.

Parabéns aos homenageados Fausto Silva, Johnny Saad e João Dória. Bom evento.

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