PROPAGANDA COOPERATIVADA HÁ QUASE 50 ANOS

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Grazziotin dá o Quentão

Onde está a ideia para vender no inverno? Foi em Passo Fundo, em julho de 1973, que a Arauto Publicidade conquistou com ética a conta das lojas Grazziotin. Lembro que frequentava o curso intensivo de Ciências Jurídicas e Sociais na Faculdade de Direito na cidade do Teixeirinha e certo dia, ao sairmos de uma missa na catedral de Passo Fundo celebrada por dom Claudio Kolling, o inteligente empresário Gilson Grazziotin, professor de marketing da Faculdade de Economia da UPF (que me conhecia pelo programa “Cidades Gaúchas”, na TV Piratini, que idealizei com Paixão Côrtes) e diretor fundador da grande rede de lojas que leva seu nome me chamou: “Vou trocar de agência, pois tenho como norma trabalhar no máximo dois anos com a mesma. Você aceita o desafio de me apresentar uma campanha para vender no inverno que será ‘tenebroso’ este ano com o vento Minuano?”. Respondi que sim, desde uma vez que não fosse concorrência especulativa, isto é, várias agências, pois como presidente da Associação Profissional de Agências de Propaganda que legitimaria o Sindicato em 1978 (o primeiro do Brasil, conforme a Lei 4.680/65, que fundei), não podia admitir esse tipo de trabalho sem remuneração.

Acertamos com o Gilson que a agência seria a única e, se a campanha não fosse aprovada, receberia o valor predeterminado pelo planejamento e os layouts. E as peças publicitárias impressas (jornais, folders e outdoors) e eletrônica (rádio) sobre o quentão (vinho especial fervido) foram apresentadas com logomarcas dos eletrodomésticos vendidos no rodapé dos anúncios veiculados (como Philco, Venax, Walita e outras marcas) e cada uma pagaria um X pela campanha, tornando a propaganda diferente e autossuficiente,sob a justificativa de que as vendas aumentariam 10% comparativamente às do ano de 1972, desenvolvida pela Norton Publicidade, agência paulista que ficou pouco tempo em Porto Alegre.

O resultado terminou com 22% de aumento das vendas de eletrodomésticos, o forte da Grazziotin, e suas lojas da região lotadas pela gauchada e, melhor ainda, o cliente não desembolsou nada, pois o sistema cooperativado cobriu os valores da mídia. Na foto, estou admirando a campanha apresentada pelo meu sócio Carlos Alberto Zanardi, colega publicitário que conheci na FAMECOS como redator do Jornal Universitário, bom de redação publicitária, conhecedor de análise sintática e que desenvolvia anúncios por ênclise, parábola e metáfora. A Arauto ficou seis anos com a conta e depois foi para o passo-fundense Daltro Franchini, da Símbolo Propaganda, pois vendi a agência para atuar na Justiça do Trabalho, um sonho acalentado de ser Juiz um dia e que consegui realizar como Classista dos Empregadores, nomeado pelo presidente Sarney e pelo ministro da Justiça e da Propaganda, Saulo Ramos, para a 5ª Turma do TRT da 4ª Região, onde trabalhei com alegria com os colegas togados Ronaldo José Lopes Leal, Gelson de Azevedo e Rosa Weber. Os dois últimos seriam, respectivamente, ministros do Tribunal Superior do Trabalho e a grande mulher inteligente das ciências jurídicas e sociais que está no Supremo Tribunal Federal.

Nos meus 85 anos, continuo trabalhando para viver como voluntário na ALAP – Associação Latino-Americana de Publicidade e do Instituto Ver Hesíodo Andrade, a ONG da Propaganda, da Justiça e do Paixão Côrtes que evita a cegueira precoce. Estou devolvendo à sociedade um pouco do que recebi, acreditando no Rio Grande com Deus, Pátria e Família.

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