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A PROPAGANDA E NICO FAGUNDES

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*João Firme

Nos três anos do seu passamento para a Estância do céu, recordo com orações do meu ilustre amigo poliglota e jurista de mão cheia, Nico Fagundes. Ele falava e escrevia em francês, inglês e espanhol com Cultura e Arte invejáveis. O Indiana, um café e chá da tarde na rua da Praia, era nosso ponto de encontro aos sábados onde me reunia com Paixão Cortes, Barbosa Lessa, Darci Fagundes, Lupicínio Rodrigues, Tulio Piva, Lamaison Porto, Rui Ramos, Rubens Alcântara, Carlos Nobre, Ernani Behs, Dilamar Machado, Paulo Ricardo e outros exponenciais da comunicação gaúcha. Na hora das artes, aplaudíamos o bandeonista argentino Malachias do Anibal Troilo, o conjunto do Braguinha com o flautista Plauto e o violonista Darci Alves que foi meu colega no 1º Regimento de Cavalaria Motorizada em Santo Ângelo e em dupla dirigíamos Tanques de Guerra.

Na mesa, o Nico era o comandante da coluna tradicionalista da Legalidade, assim como foi nomeado pelo Brizola. Ele se instalou com gaúchos ”guascas“ no Parque da Redenção, pronto para a “peleia” na defesa da constitucionalidade e fui preservado porque não sabia lutar com facão e boleadeira.

Mas não posso esquecer que as “belas da tarde” do Indiana queriam ser fotografadas com o Nico de cabelos encaracolados iguais aos meus, e o Paixão Cortes, o dono da cidade sorriso. Ele era como o Roberto Carlos.

Num dos fins de tardes de sábado, aconteceu com nós três uma brincadeira divertida com uma “garota café” na idade da “loba”, com os lindos olhos dos verdes pampas gaúchos, que perguntou para o Nico o que era gaúcho ”Guasca” e prontamente respondeu: “Macho!”. Mas aqui o primeiro é o Paixão, e ele sorrindo levantou a linda mulher como se fosse bailarino, acariciando-a no rosto com seu bigode, sua barba e ela retribuiu com beijos e fez questão de ser fotografada sentada no coxão direito do Paixão. E ele louco de faceiro. Que história!

Me inspirava muito na Cultura do Nico e, apesar dos meus quatro diplomas universitários e muitos cursos paralelos, como jornalista sou foca e rábula como advogado na frente do querido do gaúcho da cidade de Osvaldo Aranha.

Como repórter na Rádio Itaí com o João Aveline, Almir Acorsi e  Floriano Correa, sob a chefia do Rui Valandro, ouvi pelas cinco da manhã uma rádio pirata e coloquei no gravador de linhas a informação que o Perón estava preso numa belonave no Rio da Plata.

Para dar uma satisfação ao Cônsul Argentino, que protestou energicamente, me deram 15 dias de gancho.

Procurei o Nico e ele me aconselhou que aguardasse, pois a verdade sempre aparece e em uma semana ela foi confirmada e a Rádio voltou atrás me dando o cargo de subgerente com o Lorenzo Gabeline como gerente.

Na Propaganda, ele foi meu redator na Piratini do programa ”O Rio Grande que Quero” e produzia na Itaí um programa que vendi com facilidade: “Roteiro de um Compositor” com Lupicínio Rodrigues e Tulio Piva.

Na Constituição da ALAP – Associação Latino-Americana de Publicidade, me servi dos seus conhecimentos de Direito Internacional Público e Privado para conseguir o reconhecimento pelas leis brasileiras, pois éramos a primeira entidade no gênero, quando saiu do Chile, onde o Roberto Duailibi a fundou em novembro de 1979 no Congresso Latino-Americano de Publicidade.

Com a lei 4.680/65, idealizamos o primeiro Sindicato das Agências de Propaganda do Brasil e o Nico mais uma vez foi o meu professor na feitura do Estatuto.

Na crise que passamos com a Assembléia Legislativa, quando nosso advogado Apolinário Cardoso decidiu fazer uma Ação de Notificação para que se respeitasse a lei e a verba de Propaganda da Casa do Povo Riograndense passasse a ser licitada, o Nico foi para a casa do povo e se reuniu com os deputados a favor e contra e os aconselhou a respeitarem a Lei que era jovem e realizassem licitações para que uma ou duas agências administrassem a verba publicitária. Com a entrada do Zambiasi na presidência, o pleito do Sindicato foi atendido, assim como no governo do Amaral de Souza.

Mas ficaram dois sonhos dele e meus. A fundação de um CTG na capital astecal onde seu programa foi premiado em 2008 pela ALAP-México, quando promovemos a Edição Extra no Museu de Comunicação Nacional; e um em Paris, sonho acalentado desde 2004 quando promovemos, com a presença do governador Germano Rigotto, a 1ª Edição Extra do Festival de Gramado em Paris, quando o então Embaixador Sergio Amaral disse que havia clima para se ter um bom CTG na cidade da Cultura, por onde passou o Paixão Cortes com shows magníficos.

Voltarei a Paris dia 21 de setembro e, com o Dorotéo Fagundes e o Luiz Coronel, pretendemos definir a existência de direito e de fato do CTG Nico Fagundes em 2019, na capital dos Mariates.Talvez o Nico mande um chasque  dos céus para o Paixão entrar nessa causa cultural e social.

PS: Este artigo foi revisado pelo pesquisador e historiador Dorotéo Fagundes.

 *Jornalista e Publicitário

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