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A PROPAGANDA VOLTADA À SAÚDE

*João Firme

A primeira conta de propaganda de saúde que tivemos há 61 anos, na Minuano, quando estudava no Curso Técnico de Secretariado no Protásio Alves, foi do lançamento dos hospitais Conceição e Cristo Redentor, com o  empreendedor Jayr Boeira de Almeida, que no primeiro contato nos disse que não era médico, mas queria investir na construção dos dois hospitais que no futuro não seriam dele, e sim, do governo. Os jornais e as rádios da capital do Nico Fagundes, companheiro rotário que está no céu, reinaram no faturamento da agência, nos obrigando a contratar um bom jornalista-redator e um criativo designer.

Em seguida, fui chamado pelo PRONTIL- Pronto Socorro Infantil, por um médico da minha Santa Rosa, Guido Weck, com o qual estudei no ginásio. Ele me propôs um convênio com a Minuano para atender meu filho de 2 anos, que me deixava em pânico quando atacado por uma bronquite asmática, herança do meu pai. Tive que convencer o CREMERS a autorizar a propaganda que era proibida, ainda mais para medicina de grupo, combatida pelo SIMERS. Mais tarde, à frente na presidência do SINAPRO-RS, fui chamado por um colega do marketing da Policlínica Central, que entrou no mercado para vender seus serviços de atendimento médico urgente, sem hospitalização, para empresas da Grande Porto Alegre.

O Cesar, hoje dono do Centro Clínico Gaúcho, propôs o atendimento em troca de centímetros no Jornal do Comércio, argumentando que o mesmo era dirigido para empresários. Com o Daltro Franchini, Hesíodo Andrade e Adão Juvenal de Souza, pedimos uma reunião com o Delmar Jarros. Quando chegamos, ele sorriu dizendo: ” mas que honra receber o PIB da Propaganda”. Entrei na brincadeira e apresentei o projeto para a doação do valor mensal dos atendimentos aos publicitários do SINAPRO-RS. Argumentei que seria o primeiro e único convênio no Brasil na área da comunicação. Sorrindo:”está fechado. Quando começamos?” Aproveitei a oportunidade e incluí o Pronto Socorro Infantil para a Minuano, embora a Policlínica oferecesse o mesmo serviço não tão especializado.

Preparei a assinatura do convênio na ARI (Associação Rio-grandense), da qual sou associado desde 65, juntamente com a ARP, onde comecei em 60; RP e Direito em 73, pois acredito que a união faz a força. O Dr.Moacir Zaducliver, médico cardiologista, sócio com o seu irmão Jaime, também cardiologista com jeito de comunicador, nos surpreendeu no coquetel no Bar do Alberto André, estendendo o convênio para certo número de jornalistas associados, sem atrelar mídia à ARI. Mensalmente, tinha fila na ARI para pegarem as fichas de consultas gratuitas, creio que em torno de 100. Era uma alegria geral.

Com o passamento do jovem Dr.Jaime, que havia viajado comigo a São Paulo e na volta nos desencontramos nos horários de voos, pois ele teve uma síncope cardíaca na fila para a entrada no jato da VARIG, a Policlínica se desestruturou e deixou de existir, enquanto que o César, prevendo o fim, fundou o CCG e levou o convênio da propaganda me dando a conta. Lançamos com ele o primeiro programa VIDA MÉDICA pela Rádio e TV Bandeirante, ensinando prevenção de doenças. O Dr.Vinogrom, que foi o primeiro a nos cumprimentar quando liberamos o programa no CREMERS, foi cursar Jornalismo na FAMECOS/PUCRS para apresentar o programa e abandonou a traumatologia.

Mas a saúde, educação, meio-ambiente e a diversidade sempre pontuamos e chegou o Instituto Ver, em 2007, com o Teste do Olhinho e a Estimulação visual infantil para evitar a cegueira precoce, sendo este o segundo projeto internacional da Organização Mundial da Saúde depois do câncer infantil. Com a propaganda e com a liderança do dono de Porto Alegre, Paixão Cortes, e apoio dos veículos de comunicação, levamos o tema aos políticos da Câmara de Vereadores, que aprovaram em regime de urgência a lei do Teste do Olhinho. O Fogaça sancionou no dia 18 de julho de 2007 sob o olhar do Paixão, do Airton Rocha e do Luiz Coronel. Na ARI, no dia 5 de agosto, no café da manhã, a presidente do IVER, Rosane da Cruz Ferreira, que está lecionando para oftalmologistas do mundo na John Hopkins, universidade TOP de Medicina Americana como pesquisadora e cientista da OMS, candidata ao Prêmio Nobel de Oftalmologia, declarou enfática: “Hoje, graças ao Instituto Ver Hesíodo Andrade, única entidade que atende gratuitamente com sessões de estimulação e reabilitação, 22 crianças ao ano não ficam cegas em Porto Alegre, representando uma economia de 12 milhões ao município”.

Que maravilha meu Deus.

*Publicitário e Jornalista

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