ALAP | Associação Latino-Americana de Publicidade

Author: alap

PROPAGANDA ABRIU A IGREJA DE HAVANA NO NATAL

*João Firme

Em 1992, fui inaugurar um capítulo da ALAP em Cuba, que ficou com a agência estatal Publicitur, que tinha filial em São Paulo para vender turismo, principalmente em Varadero, pérola das águas do Caribe. No dia 24 de dezembro, participei de um Congresso de Publicidade no hotel Nacional e, na minha intervenção no painel com um argentino e um espanhol, declarei que, quando estudava propaganda em Porto Alegre na Famecos, me inscrevi para cortar cana nas férias de janeiro e fevereiro em Cuba, mas não consegui pelo mar de estudantes que se apresentou.

Finalizei que vinha de um país fantástico com liberdade de imprensa, mas com problemas terríveis de crianças e adultos morrendo de fome e frio nas ruas, fatos que não vi neste país, pois nas ruas falava com pessoas com esperança de dias melhores. Fui aplaudido de pé demoradamente por cerca de 800 participantes de inúmeros países latinos. O jornal Grama e a televisão oficial me chamaram para entrevistas, ignorando outros colegas conferencistas da Argentina e Espanha.

No Natal, visitei a agência Publicitur pela manhã e entreguei presentes (sabonetes, cremes dentais e quatro pares de tênis) para a diretoria composta por quatro publicitários com duas universidades cada um, e na conversação enfatizei que no meu país se comemora o Natal, é dia de presentes e cristãos oram nas igrejas para Deus dar a paz e o amor. Argumentei que o único sentimento que levava da ilha do vovô Fidel era não poder rezar na Catedral de Havana para terminar os embargos às importações e deixar seu povo viver sua cultura. Convidado para almoçar no Emiguai, o restaurante mais visitado pelos intelectuais, recebi a notícia que a Igreja estaria aberta após o almoço por meia hora para orar por Cuba e pelo Brasil.

Quando me deixaram no hotel, me avisaram que às 20h teria uma “cena” especial no restaurante francês “Bonaparte do Nacional”. Ao entrar, vimos uma decoração verde e amarela e médicos, biólogos, engenheiros, químicos, físicos, advogados, publicitários e jornalistas das agências, todos vestidos com camisetas com a bandeira da minha idolatrada pátria. O jantar à luz de velas no fino hotel foi abrilhantado pelo conjunto Los Panchos, que entre as músicas interpretou: “Tico-Tico no Fubá”, “Amélia”, “Felicidades”, “Nervos de Aço” (as duas últimas de Lupicínio Rodrigues) e “Jacaré” do Paixão Cortes. Um conjunto de cordas com várias músicas latinas terminou a inesquecível ”ceia de natal” com “Noite Feliz” e “Aquarela do Brasil”. A minha mulher Eloah, que me aguenta há 52 anos, chorou muito abraçada comigo e os doutores cubanos.

       *Jornalista e Publicitário

A PROPAGANDA MUDA NA POLÍTICA

*João Firme

Decidi liberar este suelto que deixei no prelo há algum tempo, pois estava esperando a paz e o crescimento da economia com a ampliação de empregos e na certeza que a política continuará como instrumento da democracia.

Certa vez fomos procurados por um advogado ilustre de Santo Antônio da Patrulha, de nome Curi, para que nossa agência Arauto idealizasse uma campanha para as vendas de dezenas de terrenos junto à praia de Tramandaí, onde o domínio era de areia. Quando apresentamos os “layouts”, conhecemos o diretor de marketing da firma do Curi: o jovem advogado Eliseu Padilha.

Ele contestou o nome de Nova Tramandaí e tivemos muito trabalho para convencê-lo, embora seu sócio tenha concordado e desafiou-nos a vender, com a mídia proposta, 20% da nova praia entre 15 de novembro e 30 de janeiro do ano seguinte, sob pena de perdermos a conta.

Entregamos o briefing ao Paixão Côrtes, que nos dava ideias e ele nos aconselhou um desenho animado com uma criança olhando num binóculo (miragem) com outros “niños” na praia e a mensagem: “Aqui terá parque de diversões e campo de futebol”. No planejamento, incluímos o lançamento na ARI e justificamos que lá era o palco para isso, pois os empreendedores de balneários estavam muito desacreditados e argumentamos que, para falarmos com o Alberto André, onde éramos diretor de patrimônio, a Nova Tramandaí deveria doar dois terrenos. O André concordou e a coletiva aconteceu com o atual ministro confraternizando com inúmeros comunicadores que, aos sábados, frequentavam o Bar que hoje é o Encontro do Bem Érico Veríssimo. A credibilidade da ARI resultou no bumerangue da propaganda e, 30 dias antes do prazo, o Dr. Padilha convidou a equipe de criação para uma peixada e foi para a cozinha. Como cliente, nunca discutiu os preços internos do material de produção e nem das tabelas dos veículos, confiança total na agência.

O então empreendedor era uma pessoa alegre e passou a frequentar meu apartamento com a esposa e suas lindas filhas que brincavam com os meus dois “guris” na Comendador Coruja e me arguia das minhas ideias sobre propaganda social, Festival de Gramado, Exposição dos Financiados da Aliança para o Progresso em 1965 que promovi como formando em Propaganda da FAMECOS/PUCRS, dos meus quatro diplomas universitários, liderança sindical, enfim, dissecava com categoria minha vida como se fosse do MP, CNI ou da Polícia Federal e jamais tocou em política.

Os terrenos da ARI, o Padilha recomprou para ajudar a entidade que não podia construir.

Somos todos Propaganda.

*Publicitário e Jornalista