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CENSURA NO RÁDIO E NA TV NA DITADURA

Por: *João Firme

Foram 7 anos de opressão e difíceis de convencer os censores que negavam a veiculação de comerciais de Tvs, spots e jingles de Rádios. No RS tivemos muito trabalho de convencimento ao censor, Bispo Hoara, que relutava na aprovação de mensagens que continham palavrões, segundo ele, que pudessem atentar a conduta da sociedade. Tivemos um anunciante em Porto Alegre, Casa das Blusas na Assis Brasil, que dirigia 80% da sua verba para o Rádio e que fazia promoções sazonais e relâmpagos principalmente em fim de semana com o objetivo de liquidar ou remarcar vestuário. Os textos que continham langeries como calcinhas e soutiens eram censurados em nome da moralidade. E o cliente deixava de vender e o veículo de faturar.

Certa vez aconteceu um episódio histórico com a Springer Admiral, que vendia os primeiros aparelhos de ar condicionado que conhecemos e como agência a Standard & Mather, dirigida pelo saudoso Ernani Behs. A Standard enviou um comercial da Springer numa sexta-feira pela manhã para ser liberado e que seria apresentado no programa Nobre aos Domingos na TV Gaúcha, do grande e admirável jornalista e humorista Carlos Nobre. Na redação continha a seguinte frase “Deixe a Frescura entrar em seu lar”. O Bispo (nome próprio) entendeu não aprová-lo e fui convocado como presidente do Sindicato das Agências de Publicidade, entidade que estava nascendo para demover o posicionamento da autoridade militar. Peguei o Aurélio e cheguei na primeira hora da tarde ao homem forte, e no diálogo que passou para a discussão acalorada, eu assumia também a condição de advogado, afirmando que segundo o Aurélio, frescura no lar, era clima agradável. Em contrapartida, ouvi que no seu entendimento, era veado, fresco e bixa.Quase acabei preso no final por desrespeito à autoridade.

No mesmo ano (1979), realizou-se o 3° Congresso Brasileiro de Propaganda, em São Paulo, quando apresentamos em nome da ABAP/RS e do SINAPRO-RS, a tese O Direito à Publicidade sem Censura que, aprovada, ganhou espaço na Folha de São Paulo, Estadão e no O Globo.

Em maio, fomos à Brasília e entregamos nas mãos de Marco Antonio Kraemer( nosso colega publicitário), então secretário de imprensa do Presidente Figueiredo, a tese aprovada. Nosso bom gaúcho se empenhou no encaminhamento do documento junto ao Ministério da Justiça e, em setembro de 1979, manchetes nos veículos de comunicação anunciaram o fim da Censura Prévia no Rádio e na Televisão, uma triste mordaça que tolheu a liberdade de expressão também na propaganda.

*Jornalista e Publicitário

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