ALAP | Associação Latino-Americana de Publicidade

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PUBLICITÁRIOS ENGENHOSOS

Por João Firme de Oliveira*

Luís Fernando Veríssimo e João Firme

Érico Verissimo, no seu livro “O Escritor Diante do Espelho”, dá um adjetivo aos publicitários, chamando-os de engenhosos. O escritor cruz-altense, fundador e primeiro presidente da Associação Riograndense de Imprensa (ARI), tem razão na analogia que faz entre o publicitário como criativo e o consumidor, concluindo que aquele é engenhoso, porque motiva este para ter melhor qualidade de vida, buscando no mercado produtos para sua satisfação no dia-a-dia.

Outra passagem que está na história da propaganda tem Veríssimo como redator e motivador para que o público visitasse Cruz Alta, durante a I Festa Nacional do Trigo, em outubro de 1975. A Agência Arauto, dona da conta, idealizou a peça publicitária e Érico criou o texto para ser incorporado ao anúncio em revistas de âmbito nacional e jornais gaúchos. A chamada era: “Érico Verissimo apresenta as belezas da sua terra”, e o texto, assinado: “Convido meus compatriotas de todo o Brasil para visitar Cruz Alta, minha terra natal, por ocasião da I Fenatrigo, de 5 a 20 de outubro, a fim de que possam ver a fecunda obra de nossos triticultores, que cobriram as belas e amplas coxilhas – onde outrora viveram Ana Terra e Rodrigo Cambará – com novos verdes e o ouro dos trigais”. O anúncio tinha como ilustração uma lavoura de trigo e, em superposição, a foto de Maria Angélica Abreum Rainha da Fenatrigo.

Sem bairrismo, nossa propaganda é das melhores, em comparação a de outros estados. O publicitário é imprescindível à empresa que tem por objetivo o consumidor. Somos parceiros engenhosos dos veículos de comunicação, dos anunciantes e dos consumidores. Os anunciantes sabem que podem exigir de suas agências a administração das suas verbas com desempenho e competência. A eficiência das estratégias, o planejamento seguro, a criacão consistente e a mídia rentável são hoje muito mais que técnicas de boa publicidade: são assuntos determinantes da parceria agência-anunciante e meios de comunicação.

  • João Firme de Oliveira é secretário-geral da Associação Latino-Americana de Agências de Publicidade (Alap) e presidente do Sindicato das Agências de Propaganda do RS.

alap@terra.com.br

PROPAGANDA: CONHECIMENTO, A MAIOR HERANÇA

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Creio que tenha tido o privilégio do conhecimento da propaganda ética e social pela leitura que me despertou a neurociência. Numa reunião de pauta como estagiário convidado do Washington Post, na capital de Thomas Jefferson em agosto de 1965, me foi dado o tema “libertadores latino-americanos”. Escolhi Simon Bolivar e desenvolvi minha prova de história.

No dia de saber a resposta, o chefe de redação do grande jornal que tirou o Nixon do poder me disse que eu deveria saber da minha nota na FAMECOS/PUCRS com o meu professor titular de História Cultural, Irmão Elvio Clemente. Ao chegar, ouvi dele duas propostas. Se eu provasse onde li que Bolívar disse a San Martin da Eva Peron que ele estava sendo traído pelo estado maior para, no término da guerra com os espanhóis, atacar o Brasil, eu seria laureado com nota 10. Não valia falar que ouvi dizer ou em rádio. Eu era solteiro e me dava muito bem com o Irmão Clemente e o convidei para ir no meu apartamento na rua Botafogo na cidade sorriso, argumentando que mostraria uma obra de sete livros com os dez mais (filósofos, mulheres, artistas plásticos, lideres religiosos, historiadores, músicos, poetas, libertadores e outros).

Foi e anotou o nome do autor da Enciclopédia e o livro cinco com o número da página, onde dizia que “numa reunião em Lima, comandada pelo herói venezuelano, gigante publicista da América Latina, estavam Artigas do Uruguai, Sucre do Panamá, O’Higgins do Chile e San Martin, Argentina e este ouviu perplexo a informação do Bolívar que estava sendo traído pelo seu estado maior, que tinha a intenção de invadir o Brasil. E ele, Simon Bolívar, jamais faria isso. Com alvidez, o nosso irmão e amigo San Martin respondeu que, se fosse verdade, iria ao desterro.

Para minha alegria com a nota 10, recebi um convite nos 200 anos de Bolivar e fui inaugurar uma Exposição no Aeroporto em Caracas e participei de um almoço com 100 colegas Publicitários e à noite palestrei e fui homenageado por cerca de 300 pessoas da sociedade venezuelana.

Convidei o Rodolfo Nolck, CEO da Nolck Latino América, Publicista Latino-Americano do Festival de Gramado de 2015 e representante da ALAP na Venezuela, para o 8º Prêmio Estudantil Internacional de Gramado, no dia 7 de junho na cidade das hortênsias e com tristeza fiquei sabendo que desativou a agência.

Agora quando ouço o “drama” político que está vivendo o país que tem o maior lençol de petróleo no mundo, fico preocupado com o desfecho dessa crise, um respeito a Bolivar, amigo do Brasil Pátria Amada.

*Publicitário e Jornalista

LUÍS AUGUSTO LARA, O PRIMEIRO PUBLICITÁRIO DOS INCENTIVOS FISCAIS

*João Firme

No dia 30 de março de 2007 na Câmara de Vereadores de Porto Alegre, aconteceu a posse da primeira diretoria do Instituto Ver Hesíodo Andrade, prestigiada pelo saudoso ministro do Trabalho Arnaldo da Costa Prieto e pela presidente da casa, vereadora Maria Celeste. Na pauta, estava um ineditismo: a entrega das carteiras de Publicitário da ALAP de identificação nacional, que foram destinadas para Luis Lara, provando que, durante a lei 4.680/65, trabalhou apresentando programas no Rádio em Bagé, terra do general Médici.

Seguindo a conquista do Lara, estavam orgulhosos com o documento de Publicitário, o bageense Luiz Coronel; Marco Antônio Kraemer oriundo de Antonio Prado, meu colega de turma de jornalismo da FAMECOS de 1965 e de serviço comigo na Minuano Publicidade; e Airton Rocha, ex-vice-presidente da Associação Riograndense de Propaganda e do SINAPRO – Sindicato das Agências de Propaganda no RS. Falou em nome dos laureados o Luiz Lara, defendendo que, se fizesse Propaganda para a Sociedade aplicar os incentivos fiscais para o terceiro setor no Rio Grande do Sul, não deixaria escapar milhões para outros estados.

Na presidência do Rotary Beira Rio em 2008, a Fundação Mauricio Sirotsky Sobrinho me pediu que desenvolvesse um evento para informar aos Rotarianos do estado que na grande maioria são empresários e têm direito a incentivos fiscais para o fundo da criança e do adolescente. Aprovado meu plano de trabalho de conscientização pela publicidade, realizei em Gramado, no hotel Serra Azul em março de 2008, o seminário “O que o Rotary e a Sociedade podem Fazer pela Criança de Rua?“. Compareceram 20% a mais do previsto, com os governadores dos três distritos e de quebra um do Uruguai, que se encantou pela ideia e a levou nossa lei para o Mujica aprovar.

Na mesa de trabalhos, estavam o Delegado da Receita Federal, a Presidente Nacional do Movimento de Abrigo à Criança de Rua e um Pastor, presidente Associação pró–divulgação dos incentivos fiscais, entidade idealizada pela grande mulher e antropóloga Ruth Cardoso, e dizem é dela a autoria das Leis 9.249 e 9.250/12/95, beneficiando o Fundo Municipal da Criança e do Adolescente.

No inteiro teor da lei, chegamos a ter 12% da pessoa jurídica, mas o “lobby” artístico foi forte e nos tiraram 6%. Protestamos com o Paixão Côrtes, conforme consta no meu artigo que idealizei e o Jornal do Comércio transformou em Caderno de Leis, publicado no dia 7/4/98 (reproduzido abaixo).

A proposta visava a identificação do doador via CPF ou CGC, evitando desvios na arrecadação desses montantes, envolvendo o abatimento de 1% do Imposto da Renda de pessoas jurídicas e uma redução de até 12% destas.

Mas o resultado do seminário foi surpreendente e o inesquecível Raul Randon, meu então cliente na Arauto que pertencia ao Rotary Centenário, saiu na frente com os empresários caxienses e as entidades sociais se fortaleceram, assim como o maravilhoso “Projeto Florescer”, um sucesso admirável no mundo que foi premiado no 5º Fórum Mundial de Comunicação Social da ALAP – Associação Latino-Americana de Publicidade, realizado em setembro de 2008 na FAMECOS/PUCRS. Soubemos que os dois Rotary de Santa Rosa (meu torrão colonial) tomaram como bandeira os incentivos e a APAE passou a ser grande beneficiada nos serviços sociais. E outros fizeram a mesma coisa. Em Porto Alegre, idealizei a Caravana da Comunicação Social com o objetivo de divulgar os incentivos fiscais para ficarem no RS.

Confesso que dei “pulos” de alegria quando vi o lançamento da campanha da Assembleia Legislativa, motivando os que têm imposto a pagar, deixando no Estado em que tudo que se planta cresce e o que mais floresce é o amor.

E recordei que havia convidado o Lara, junto com o Paulo Sergio Pinto em março de 2018, sem pedir auxílio ou patrocínio para ir à 2ª Edição Extra do Festival de Publicidade de Gramado em Paris, no dia 21 de setembro de 2018 na Embaixada do Brasil, para apresentar o evento, pois ele é ótimo nessa missão de radialista-comunicador. Lara receberia a primeira láurea Paixão Côrtes Celestial que a ALAP, com o Instituto Cavaleiros Farroupilhas idealizaram. E justifiquei o Preito de Gratidão, afirmando na conversação ao Lara que sua simplicidade e autenticidade pelas quais eu me espelhava eram notórias. Sublinhei que era seu fã televisivo quando apresentou um programa mostrando o desenvolvimento dos municípios gaúchos numa grande emissora de Porto Alegre, dentro da ideia do “Cidades Gaúchas” que o Paixão Côrtes produziu conosco na TV Piratini e era exportado semanalmente para a TV Tupi-SP, TV Continental-RJ e TV Recife-PE, patrocinado pela Randon.

As turbulências políticas não permitiram a saída dele para Paris em setembro de 2018. No convite entregue ao meu amigo Furtado do Cerimonial, sugeri o dia 13 de abril, um sábado, às 8h30min, na Câmara de Vereadores de Porto Alegre, na abertura do 3º Curso de Habilitação de Técnico em Estimulação e Reabilitação Visual Infantil organizado pelo Instituto Ver com o apoio da ALAP e entidades da indústria da comunicação. Este Curso é gratuito para quem tem o ensino fundamental, de preferência para agentes de saúde, desempregados, idosos e imigrantes que queiram trabalhar por ”hora”.

Tomara que em todos os anos tenhamos Propaganda Ética e Social igual a esta da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, renovando a aplicação dos Incentivos Fiscais à Criança e ao Adolescente no Estado que os gaúchos acreditam e investem.

*Publicitário e Jornalista

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O INTERNACIONAL, GALINHADA E A PROPAGANDA

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*João Firme

Dia 7 de abril, data do jornalista e da saúde. Pegando o gancho da véspera em que foram comemorados os 50 anos do Beira-Rio, e do último dia 4 com as 110 primaveras do Internacional, recordo meu envolvimento com o time do Falcão, o “o Rei de Roma”, meu ídolo no futebol e no Bem por ajudar o Instituto da Criança com Diabetes, projeto premiado em Paris na 2ª Edição Extra do Festival de Publicidade de Gramado, realizada no dia 21 de setembro na Embaixada do Brasil.

Minha agência Arauto tinha um criativo chamado Sergio Marques, que fazia a folheteria do time do Tesourinha nos anos 60 e ele era nosso modelo para divulgar obras sociais, doando seu cachê.

Saiu uma concorrência para a venda de 200 títulos patrimoniais para terminar o estádio e um dos itens dizia que a empresa vencedora teria um prêmio, cadeira cativa, se os títulos fossem vendidos antes de 90 dias.

Usamos somente a mídia impressa, orientando os corretores vendedores que aos domingos fossem aos morros e oferecessem “galinhadas” para 20 pessoas e aproveitassem o Clima de Alegria para faturar. Apareceu um turco, chamado Mansur com carta de referência do Saul, diretor das Óticas Precisão. Ele, além da comissão pela venda dos títulos, solicitou 30 galinhas e aos sábados e domingos formava filas para a “galinhada” com pães da padaria da irmã do então frei Irineu Costella, pároco da Igreja Santo Antonio, e após vendia os títulos. Em 60 dias foram todos.

E comemoramos com “galinhada” no morro da Tuca, terreiro do frei Costela, e a venda toda aconteceu um mês antes do prazo com os meus 17 criativos da Arauto. Transferi o prêmio para o funcionário Sergio Marques, que trouxe a conta do Internacional, sonho de todas as agências de propaganda para constar no portfólio.

Como não me envolvo com futebol e política, mas admiro os que são éticos e vencedores, continuo trabalhando para viver com esperança de um Brasil melhor, tudo o que a Sociedade quer.

*Publicitário e Jornalista

A PROPAGANDA E NICO FAGUNDES

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*João Firme

Nos três anos do seu passamento para a Estância do céu, recordo com orações do meu ilustre amigo poliglota e jurista de mão cheia, Nico Fagundes. Ele falava e escrevia em francês, inglês e espanhol com Cultura e Arte invejáveis. O Indiana, um café e chá da tarde na rua da Praia, era nosso ponto de encontro aos sábados onde me reunia com Paixão Cortes, Barbosa Lessa, Darci Fagundes, Lupicínio Rodrigues, Tulio Piva, Lamaison Porto, Rui Ramos, Rubens Alcântara, Carlos Nobre, Ernani Behs, Dilamar Machado, Paulo Ricardo e outros exponenciais da comunicação gaúcha. Na hora das artes, aplaudíamos o bandeonista argentino Malachias do Anibal Troilo, o conjunto do Braguinha com o flautista Plauto e o violonista Darci Alves que foi meu colega no 1º Regimento de Cavalaria Motorizada em Santo Ângelo e em dupla dirigíamos Tanques de Guerra.

Na mesa, o Nico era o comandante da coluna tradicionalista da Legalidade, assim como foi nomeado pelo Brizola. Ele se instalou com gaúchos ”guascas“ no Parque da Redenção, pronto para a “peleia” na defesa da constitucionalidade e fui preservado porque não sabia lutar com facão e boleadeira.

Mas não posso esquecer que as “belas da tarde” do Indiana queriam ser fotografadas com o Nico de cabelos encaracolados iguais aos meus, e o Paixão Cortes, o dono da cidade sorriso. Ele era como o Roberto Carlos.

Num dos fins de tardes de sábado, aconteceu com nós três uma brincadeira divertida com uma “garota café” na idade da “loba”, com os lindos olhos dos verdes pampas gaúchos, que perguntou para o Nico o que era gaúcho ”Guasca” e prontamente respondeu: “Macho!”. Mas aqui o primeiro é o Paixão, e ele sorrindo levantou a linda mulher como se fosse bailarino, acariciando-a no rosto com seu bigode, sua barba e ela retribuiu com beijos e fez questão de ser fotografada sentada no coxão direito do Paixão. E ele louco de faceiro. Que história!

Me inspirava muito na Cultura do Nico e, apesar dos meus quatro diplomas universitários e muitos cursos paralelos, como jornalista sou foca e rábula como advogado na frente do querido do gaúcho da cidade de Osvaldo Aranha.

Como repórter na Rádio Itaí com o João Aveline, Almir Acorsi e  Floriano Correa, sob a chefia do Rui Valandro, ouvi pelas cinco da manhã uma rádio pirata e coloquei no gravador de linhas a informação que o Perón estava preso numa belonave no Rio da Plata.

Para dar uma satisfação ao Cônsul Argentino, que protestou energicamente, me deram 15 dias de gancho.

Procurei o Nico e ele me aconselhou que aguardasse, pois a verdade sempre aparece e em uma semana ela foi confirmada e a Rádio voltou atrás me dando o cargo de subgerente com o Lorenzo Gabeline como gerente.

Na Propaganda, ele foi meu redator na Piratini do programa ”O Rio Grande que Quero” e produzia na Itaí um programa que vendi com facilidade: “Roteiro de um Compositor” com Lupicínio Rodrigues e Tulio Piva.

Na Constituição da ALAP – Associação Latino-Americana de Publicidade, me servi dos seus conhecimentos de Direito Internacional Público e Privado para conseguir o reconhecimento pelas leis brasileiras, pois éramos a primeira entidade no gênero, quando saiu do Chile, onde o Roberto Duailibi a fundou em novembro de 1979 no Congresso Latino-Americano de Publicidade.

Com a lei 4.680/65, idealizamos o primeiro Sindicato das Agências de Propaganda do Brasil e o Nico mais uma vez foi o meu professor na feitura do Estatuto.

Na crise que passamos com a Assembléia Legislativa, quando nosso advogado Apolinário Cardoso decidiu fazer uma Ação de Notificação para que se respeitasse a lei e a verba de Propaganda da Casa do Povo Riograndense passasse a ser licitada, o Nico foi para a casa do povo e se reuniu com os deputados a favor e contra e os aconselhou a respeitarem a Lei que era jovem e realizassem licitações para que uma ou duas agências administrassem a verba publicitária. Com a entrada do Zambiasi na presidência, o pleito do Sindicato foi atendido, assim como no governo do Amaral de Souza.

Mas ficaram dois sonhos dele e meus. A fundação de um CTG na capital astecal onde seu programa foi premiado em 2008 pela ALAP-México, quando promovemos a Edição Extra no Museu de Comunicação Nacional; e um em Paris, sonho acalentado desde 2004 quando promovemos, com a presença do governador Germano Rigotto, a 1ª Edição Extra do Festival de Gramado em Paris, quando o então Embaixador Sergio Amaral disse que havia clima para se ter um bom CTG na cidade da Cultura, por onde passou o Paixão Cortes com shows magníficos.

Voltarei a Paris dia 21 de setembro e, com o Dorotéo Fagundes e o Luiz Coronel, pretendemos definir a existência de direito e de fato do CTG Nico Fagundes em 2019, na capital dos Mariates.Talvez o Nico mande um chasque  dos céus para o Paixão entrar nessa causa cultural e social.

PS: Este artigo foi revisado pelo pesquisador e historiador Dorotéo Fagundes.

 *Jornalista e Publicitário

SE VOCÊ QUER SER UNIVERSAL, CANTE SUA ALDEIA NA PROPAGANDA

Parafraseando Tolstói: construí este suelto. A revolução tecnológica que ocorre no mundo, especialmente no que se refere aos meios de comunicação, deverá contribuir para uma sociedade melhor. Esse quadro de democracia eletrônica facilita o quadro de contato com o público, fazendo surgir um novo consumidor, o digital, que, plugado às novas alternativas de comunicação, vai poder consumir melhor, com menor custo e maior facilidade. E para o novo consumidor, que é o básico da propaganda, devemos estar preparados para levar a informação, cada vez mais especializada e mais dinâmica. Construindo um panorama neste século, destacamos que tudo está mudando: profissionais, agências, relações comerciais, até mesmo a linguagem e, obviamente, a própria sociedade. Depois da agricultura, da revolução industrial e da era da comunicação, que são as três primeiras ondas, surge um novo “fenômeno” que sustenta, apoiado em seis correntes: a globalização, a exigência por resultados, a tecnologia digital, o valor do tempo, a fragmentação e o resultado conhecido.

O Festival de Gramado no final do século XX teve uma palestra do inglês Michael Arlen, que tinha uma empresa com 500 designers em Londres. Ele profetizou que, até 2020, não existiria mais a profissão dele como a conhecemos. Passou o tempo, e o designer continua cada vez mais forte e está no mundo digital (os pôsteres e embalagens não vão desaparecer tão cedo).

Roberto Duailibi, outro ás da Publicidade, declarou em Gramado, quando Patrono do Festival de 2007, que existiria uma linguagem latino-americana universal, lembrando o fato que o mercado do Sul está no “olho do furacão” de um novo, enfatizando que a atual geração tem oportunidades, como nenhuma outra, de dar uma grande virada criativa, alertando para o respeito às particularidades e à cultura de cada região, de cada país, citando novamente Tolstói: ”Se você quer ser universal, cante sua aldeia”.

João Firme – Publicitário e Jornalista

A ÉTICA E O SOCIAL NA PROPAGANDA

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*João Firme

Nesses 40 anos do SINAPRO-RS e nos meus 60 como empreendedor em três agências de publicidade e uma de turismo, posso afirmar que o norte que adotei de Ética e Propaganda Social me deu alegrias e trabalho, e nunca tive problemas com grandes empresas que tive suas contas e se me permitem cito algumas que guardo  como relicários: SLC Automotriz, Tramontina, Randon, Agrale, Azaléia, Ortopé, Água Sarandi, Marco Polo, Brahma no centenário, Cerveja Caracu no lançamento, Semeato, Menegaz, Grazziotin, M Lojas Obino, Hospital Conceição e Cristo Redentor, Exposição dos Financiados da Aliança para o Progresso (EFAP), Frigorífico Alegretense, Calçados Bibi, Reicher, Adams e Randak; Masal, Jacui, Metalurgica Venax, Cerâmica Cordeiro, Cerâmica Aita, Erva Mate Saphira, Café Dinamite, Marrocos e Haiti; Churrascaria Santo Antonio, Lacesa, Danoni, Laticínios DEAL, Sabão Fontana, Sabão Maraschin, Casa das Blusas, Casa Kluwe, Opticas Precisão, Cooperativa Vinícola Aurora, Aliança, Garibaldi, Languiru, Minuano e Encantado; Livrarias Sulina, Menegaz, Universidade de Passo Fundo, Unisc (onde fui Patrono da Turma de Propaganda de 2003), Massas Damiani, Manoela e Isabela; Princesa dos Móveis, Instituto Cultural Norte-Americano, Construtora Satusil, Gerdau, Broilo Bolas, Tintas Killing, Philco, Cosméticos Wella, Prefeitura de Porto Alegre, Gramado, Santa Rosa, Passo Fundo, Guaporé, Osório e Getúlio Vargas; Frigorífico Rizzo, Frigorosa, Moinhos Riograndense, Fenasoja, Fenatrigo e Fenac, Casas Cavasoto de NH, Ind. de Confecções Kiefer, Construtora Satuzil, Princesa dos Móveis, Soberana dos Móveis, Casas Schmitz, Importadora Americana, Fiergs, Todeschini, Indústria Ideal de Colheitadeiras, Nova Tramandaí, Capão Novo, Internacional, Albornoz de Livramento, Cerveja Gazapina, Cerveja Pérola, Muraro Vinhos e Conhaques de Flores da Cunha, Vinhos Michelon, Dreher, Prátika Produtos Alimentícios Instantâneos, BRDE, Caixa Estadual, Banrisul, Governo do Estado do RS, Epatur, Ouro e Prata, Frederes, Unesul, Gaúcha Madeireira, Siveipeças, Móveis Artema, Móveis Esplêndidos, DAER, Secretaria de Comunicação, Chocolate Caracol, Mamma Mia, Móveis Dinnibier e Muraro & Cia. Vinhos e Whisky; Secretaria do Turismo do RS e EMBRATUR; Banco do Brasil, Associação dos Magistrados do Trabalho do RS, Serra Malte, Plaza São Rafael Hotel, Hotel Comodoro São Paulo, Hotel Laje de Pedra, Hotel Serra Azul, Assembleia Legislativa do RS, Instituto dos Advogados do RS,  Cremers, Amrigs, Camisaria Tanhauser, Casa das Sedas, Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica, Clubes Cantegril e Caixeiros Viajantes de Porto Alegre.

O social é fazer o bem com projetos e propaganda de responsabilidade social como prevenção às drogas, valorização da Cultura/Educação, Arte, Saúde, Idoso na sociedade, Violência nas escolas, Meio-Ambiente, onde está inserido a sustentabilidade ambiental como ecologia,  água, clima, flora e fauna; o Turismo ecológico, de aventura, destino, palenteológico, eventos e negócios, designer e artes gráficas, bem público, propaganda política criativa para existir a democracia e a liberdade de imprensa.

A Ética é os bons modos na sociedade, segundo São Francisco de Assis, quando não pregava, sorria limpando leprosos e por isso um Papa lhe beijou os pés, após ter sido expulso por guardas da igreja quando entrava com alguns franciscanos.

E os Emaús diziam: dai a Cesar o que é de Cesar como Ética.

* Publicitário e Jornalista

FERNANDO ALBRECHT E A PROPAGANDA

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Falar de um colega do bem, tão bom profissional como Fernando Albrecht, não é fácil. Fui seu leitor em outro veículo e continuo no Jornal do Comércio, assíduo. Viajava muito para atendimento de clientes do interior e inúmeras boas contas em Porto Alegre. Eu era seu confidente em informações da nossa economia para quem sempre gostei de trabalhar com a Propaganda para se desenvolverem. Encontrava-me com ele aos domingos, depois de minha missa das 9h30 na Pompéia, que era perto do apartamento dele e do meu na Comendador Coruja e nosso assunto era a notícia com exclusividade. Ele não fazia ‘releases’, e muitos que enviaram pelo departamento de imprensa da Arauto Publicidade foram para o lixo. Dava a informação que a economia queria, sem prejudicar a Propaganda, que é o maior investimento para vender.

Lembro um dia quando cheguei no Liliput, com um quarto de ovelha que havia ganho de um fazendeiro parente da minha esposa de Alegrete e que fora buscá-lo naquele domingo às 6h30 na rodoviária. Veio em mãos pelo motorista e encontrei o meu colega da ARI e da Comissão de Ética, Sergio da Costa Franco, também esperando um ‘saco’ de ovelhas de um estancieiro de Quaraí, que gostou de seu artigo ‘descendo a lenha’ na censura prévia imposta ao Jornal do Brasil, à rádio Gaúcha, à Veja e a um jornal de Novo Hamburgo. Em 10 dias, conseguimos levantar juntos ao Tribunal de Alçada do Rio Grande do Sul.

O Fernandinho ficou sabendo da história no meu livro, quando o Sergio declarou que nós dois poderíamos ser investigados como abigeatários, nos condenando pela atitude. Nunca mais aceitei presentes proibidos. Certa vez, envolvi-me com a Polícia Federal por deter dois pilotos de um jatinho paraguaio, oito jornalistas do ABC Color que, chefiados pelo genro do marechal Stroner, vieram participar do Festival de Publicidade de Gramado em 1985, quando Otávio Gadret foi patrono e Germano Rigotto inaugurou o evento com a Dona Ione Sirotsky.

Os policiais acharam pedante o homem de branco, que tirava baforadas de charutos na verificação das malas e estava alcoolizado. Desconfiaram de uma harpa que era presente para o Cônsul Paraguaio, desconfiaram que ali tinha marijuana e estavam pensando em abrir o grande instrumento de cordas. Pedi para falar com o superintendente da PF no Aeroporto, usando minha carteira da OAB. Permitiram-me a entrada, fui logo dizendo que eram meus convidados para o Festival de Publicidade e ouvi a história do porque da demora na liberação. Fiz uma proposta com argumentos, aceita na hora: “Libere os pilotos e os jornalistas, não abram a harpa e o Cônsul está no aguardo, muito nervoso. Ponha-me ao telefone com o superintendente Federal, caso contrário, vou pedir socorro já para a OAB”. Falei com sustentação oral que nada tínhamos a ver com os turistas que entram legalmente e estejam embriagados. Minha tese foi aceita e, para surpresa na hora da homenagem como o jornal que mais divulgou o Festival de Publicidade no Paraguai, na feijoada oferecida pelo patrono Otávio Gadret, fui chamado ao palco e ganhei a harpa com a justificativa do presidente do ABC Color.

O Fernando me surpreendeu ao historiar meu diálogo com a PF (não sei onde conseguiu as informações) e publicou o régio presente, a foto com a harpa que é mais alta que eu e a doei para uma entidade de meninos músicos carentes de uma escola de Caxias do Sul, mantida pelo Raul Randon, dando a informação do meu diálogo cordial com a Polícia Federal.

Que maravilha de história, Fernandinho. Sei que você não bebe, mas quando eu for chamado, vou perguntar para São Pedro se é permitido uma taça por dia do vinho de Cristo, que aprendi a tomar como sacristão em Santa Rosa e depois com o Raul Randon (que está no céu, feliz). Ele sempre me esperava nas reuniões no final da tarde com uma taça de tinto para saborearmos e, hoje, minha neurologista e geriatra me receita duas e continuo vivendo.

João Firme é jornalista e publicitário.