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OS SEQUESTROS NA PROPAGANDA

*João Firme

Washington Olivetto, Luiz Salles e Geraldo Alonso Filho foram sequestrados, e nós, reféns no Festival de Gramado de 2005.  O Washington se salvou porque foi muito criativo até para isso.

O Luiz Salles, que foi esquecido pelos bandidos porque esperavam um dinheirão, acabou sendo solto, mas foi uma comoção nacional nas comunicações pelo tempo mantido nesta situação. O Geraldinho, como dizia o pai, herdou a Norton e os sequestradores imaginaram que ele era riquíssimo. Voltou ao batente e vendeu a empresa. Nós fomos reféns no Festival de Gramado de 2005, por um grupo de jovens que chegou em dois ônibus da região central do Brasil e queriam lugares no auditório (lotado uma semana antes) da Expogramado para assistirem as palestras do fotógrafo Oliveri Toscani, Nizan Guanaes e Duda Mendonça.

A saída inteligente da competente Eliana, da Capacità Eventos (que se virou como um Paixão Cortes), com os seus fornecedores foi improvisar telões para que quase 1 mil participantes pudessem assistir às palestras, o que causou   um enorme prejuízo, mas acalmados os ânimos da juventude, o Festival Mundial de Publicidade de Gramado de 2005 foi transmitido integral  para o mundo, pela internet, através do site da Alap.

Voltando aos sequestros, o do Washington foi puramente por dinheiro, pois imaginavam que ele era nosso Bill Gattes, assim como Luiz Salles e Geraldo Alonso Filho. O Luiz e o Geraldo abandonaram a propaganda e o Washington desistiu da agência própria e associou-se à MCann.

Com o Luiz Salles, temos recordações extraordinárias desde a Carta de Porto Alegre, firmada em 1981 para a constituição da FENAPRO. Viajamos pelo Brasil com um VISA da Salles Interamericana (dos irmãos Mauro e Luiz) para convencer os colegas de cada Estado a fundarem Sindicatos para que a Federação nascesse forte em 1985. E não deu outra, conseguimos o que queríamos e a primeira posse da Diretoria da FENAPRO, com Luiz Salles na presidência, e eu como secretário-geral, foi no dia 4 de dezembro, Dia Mundial da Propaganda de 85, com Missa na Catedral Metropolitana e jantar com o Governador Amaral de Souza e o Arcebispo Metropolitano, Dom Claudio Koling, o Bispo do vinho de cristo dos jornalistas.

Depois, aconteceu a segunda em SP, no Maksoud Hotel, bem organizada pela Salles Interamericana (mais de 200 convidados), com os cinco Sindicatos (RS, SP, RJ, GO e DF). Cada presidente podia levar um cliente anunciante.

A posse oficial foi presidida pelo Ministro do Trabalho, Murilo Macedo.  O Luiz era simples, autêntico, inteligente, publicitário de “escola” e caí nas graças dele, nos tornamos amigos assim como dois “coroinhas”, ao ponto de ele vir de SP e trazer carne argentina para assar na minha cobertura da  rua Eça de Queiroz, onde passeavam  Érico Veríssimo, Paulo Brossard e Luiz Coronel.

O Careca, como o chamava carinhosamente, sempre me aconselhava a seguir a advocacia (argumentava que agência era negócio difícil), pois gostava dos meus artigos sobre a legislação da propaganda e do meu trabalho de trazer para o mercado novos anunciantes, e no CONAR na formatação das Câmaras junto com o Saulo Ramos, herdeiro da banca de Vicente Rao. Quando desisti de agência porque meu filho não quis a profissão de publicitário e sim de engenharia aeronáutica (comandante da VARIG e hoje da CATAR), fui nomeado Juiz Classista dos Empregadores para a  7ª JCT por convite de  Ronaldo José Lopes Leal, presidente da AMATRA – Associação dos Magistrados do Trabalho do RS, cliente da Arauto Publicidade. Ocorreu que o Saulo Ramos, que tinha um baita conhecimento jurídico, foi nomeado pelo presidente Sarney como ministro da Justiça e ambos me nomearam Juiz do TRT da 4ª Região, onde trabalhei na quinta turma com a ministra do STF, Rosa Weber (nunca tinha visto uma mulher tão inteligente em ciências jurídicas como ela), Gelson de Azevedo (Patrono da ALAP e transformador da JT), Ronaldo José Lopes Leal, ”juris consulti” do Trabalho que se aposentou como presidente do TST e outros desembargadores notáveis.

Lembro uma profecia do Luiz Salles no dia em que fomos recebidos em audiência pelo presidente Figueiredo: “todas as agências grandes vão desaparecer até 2020”. E é verdade, não existe mais nenhuma.  Com o Roberto Marinho, Roberto Civita, Mauricio Sobrinho, João Saad, Geraldo Alonso, Castelo Branco, Petrônio Correa, Antonio Mafuz e Hesíodo Andrade, Luiz Salles está descansando em paz.

*Publicitário e Jornalista

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