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PAULO VELLINHO E A PROPAGANDA ÉTICA E SOCIAL

20180313_140218Na foto, da esquerda pra direita, João Firme, o publicitário Roberto Sirotsky e Paulo Vellinho

*João Firme 

Paulo Vellinho foi insigne empreendedor que adquiriu a marca Admiral porque olhou fundo nos olhos do americano que lhe deu os direitos no Brasil, afirmando que não tinha dólares nem cruzeiros, mas iria lhe pagar em pouco tempo, pois tinha convicção no seu trabalho que transformaria vidas. Vellinho merece um Monumento para ficar na história e estou trabalhando na idealização deste para talvez colocá-lo ao lado do Carlos Nobre, jornalista, radialista e pianista que marcou época quando, juntos, laboramos com o Mauricio Sobrinho em 1968 na Rádio Gaúcha no Edifício União.

Por que ao lado Carlos Nobre? Tive a felicidade de conviver com o Vellinho nos tristes tempos de sete anos com a espada da Censura Prévia no Rádio e na Televisão. Em 1974, o Bispo Hoara, o censor mais “durão” que conheci em toda a revolução, suspendeu por um domingo Nobre na TV Gaúcha pela afirmação que estava suando por falta de  “frescura” no estúdio, pois não estava funcionando o aparelho Springer/Admiral, seu patrocinador. Na condição de Presidente do Sindicato das Agências de Propaganda no RS, recém-formado em Direito, enfrentei a “fera” com o Aurélio na mão, lendo o que era “frescura”: clima bom e aproveitei para reclamar dos cortes indevidos que ele vinha fazendo nos textos de promoção que continham peças de lingerie de mulher. Mas o Bispo, que não gostava nem de Igreja, não aceitou minha defesa oral, e soltou seu verbo de “ignorante” com palavras de baixo calão como: veado, fresco e p…, e na gritaria perguntei sobre calcinhas e soutiens: o que as agências deveriam fazer? A resposta foi incontinente: Calças de Mulher e Corpinho. Que barbaridade Bispo, eu não acredito nesta volta ao passado. Hasta la vista!

Com  o apoio do Paulo Vellinho e do Ernani Behs da Ogilvy&Mather, que tinha a conta da Springer/Admiral, fui ao 3º Congresso Brasileiro de Propaganda em São Paulo e apresentei a tese ”O Direito à Propaganda sem Censura” aprovada pelo auditório em pé no Anhembi e, no dia seguinte, era noticia de capa da Folha de São Paulo, o Estadão, o Globo e outros grandes jornais com o Rádio e a Televisão na retaguarda. Em três meses, Marco Antonio Kraemer, meu ex-funcionário na Arauto e colega da turma de publicitários de 1965 na FAMECOS, convenceu o Presidente Figueiredo, do qual nosso gaúcho de Flores da Cunha era porta-voz de imprensa, para mandar o Ministro da Justiça acabar com a vexatória Censura Prévia nos meios eletrônicos que são concedidos pelo Governo Federal.

Certo dia com o Vellinho, sentamos na VASP para voltarmos à nossa cidade sorriso e o comandante falou conosco para trocarmos de aeronave pela Varig via Foz do Iguaçu, para darmos lugar a um enfermo de idade que precisava urgente chegar no hospital Albert Einstein em SP. Prontamente atendemos e voltamos sorrindo com um banquete de primeira classe proporcionado pela tripulação.

O Rio Grande e o Brasil precisam tanto de Paulos Vellinhos para se reerguerem com a Ética e o Social.

Quero trazer à memória aquilo que me pode dar esperança.

*Publicitário e Jornalista

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