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A PROPAGANDA MUDA NA POLÍTICA

*João Firme

Decidi liberar este suelto que deixei no prelo há algum tempo, pois estava esperando a paz e o crescimento da economia com a ampliação de empregos e na certeza que a política continuará como instrumento da democracia.

Certa vez fomos procurados por um advogado ilustre de Santo Antônio da Patrulha, de nome Curi, para que nossa agência Arauto idealizasse uma campanha para as vendas de dezenas de terrenos junto à praia de Tramandaí, onde o domínio era de areia. Quando apresentamos os “layouts”, conhecemos o diretor de marketing da firma do Curi: o jovem advogado Eliseu Padilha.

Ele contestou o nome de Nova Tramandaí e tivemos muito trabalho para convencê-lo, embora seu sócio tenha concordado e desafiou-nos a vender, com a mídia proposta, 20% da nova praia entre 15 de novembro e 30 de janeiro do ano seguinte, sob pena de perdermos a conta.

Entregamos o briefing ao Paixão Côrtes, que nos dava ideias e ele nos aconselhou um desenho animado com uma criança olhando num binóculo (miragem) com outros “niños” na praia e a mensagem: “Aqui terá parque de diversões e campo de futebol”. No planejamento, incluímos o lançamento na ARI e justificamos que lá era o palco para isso, pois os empreendedores de balneários estavam muito desacreditados e argumentamos que, para falarmos com o Alberto André, onde éramos diretor de patrimônio, a Nova Tramandaí deveria doar dois terrenos. O André concordou e a coletiva aconteceu com o atual ministro confraternizando com inúmeros comunicadores que, aos sábados, frequentavam o Bar que hoje é o Encontro do Bem Érico Veríssimo. A credibilidade da ARI resultou no bumerangue da propaganda e, 30 dias antes do prazo, o Dr. Padilha convidou a equipe de criação para uma peixada e foi para a cozinha. Como cliente, nunca discutiu os preços internos do material de produção e nem das tabelas dos veículos, confiança total na agência.

O então empreendedor era uma pessoa alegre e passou a frequentar meu apartamento com a esposa e suas lindas filhas que brincavam com os meus dois “guris” na Comendador Coruja e me arguia das minhas ideias sobre propaganda social, Festival de Gramado, Exposição dos Financiados da Aliança para o Progresso em 1965 que promovi como formando em Propaganda da FAMECOS/PUCRS, dos meus quatro diplomas universitários, liderança sindical, enfim, dissecava com categoria minha vida como se fosse do MP, CNI ou da Polícia Federal e jamais tocou em política.

Os terrenos da ARI, o Padilha recomprou para ajudar a entidade que não podia construir.

Somos todos Propaganda.

*Publicitário e Jornalista

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